segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O Sorriso - poema de Isabel Furini


Quadro da Escola Cusquenha - Fotografia de Isabel Furini
sobre a branca mesa:
os pratos
os talheres
os cálices
os pães
e a garrafa de vinho

nos reflexos do vinho
um antigo Anjo
cantando em um teatro
cujo nome é Destino

o santo Anjo
tem nos lábios
um sorriso
feito de pão e de vinho

um sorriso suave
sorriso de criança
e nos olhos têm duas aves
que dançam
sobre as águas
do rio de Heráclito

(silenciosamente)
as águas passam
e só fica o sorriso do Anjo
eterno
como o movimento da galáxia.

Isabel Furini

sábado, 29 de outubro de 2016

Poema para el padre ausente - de Isabel Furini


POEMA PARA EL PADRE AUSENTE

Ulises imaginaba a Penélope tejiendo
(calmamente)
en la isla de Itaca
hoy me siento como Ulises
sólo que mi tejedora se llama Gabriela
y Gabriela tejía poemas
con hebras de luna y con hebras de estrellas

Penélope se moría de amor por Ulises
y Gabriela sufría
(ella recordaba a su progenitor
como una sombra em la lejanía)
quando encontró los poemas de su padre (el poeta)
despertó de repente em su alma inquieta
el gesto cristalino de la poesía
y tejió con la poesía su propio destino

su padre escribió y abandonó los versos
su padre la abandonó - ese destino adverso
la transformó en un poema olvidado
Gabriela escribía para completar el inventario
de los recuerdos
escribiendo poemas Gabriela perpetuaba el pasado
y transformaba
la larga ausencia en simbólica presencia

Isabel Florinda Furini
Ese poema hace parte de la Antologia Gabriela Mistral del Valle Natural - organizado por el poeta Alfred Asis en la Isla Negra, Chile.

Conto O VESTIDO - Inspirado no quadro de Suzana Lobo

Quadro de Suzana Lobo


O VESTIDO

Rosana abriu a porta do guarda-roupa e observou o vestido azul. Ela o havia usado na festa do Natal da empresa, no final dos anos 70. Foi quando conheceu Daniel, o seu grande amor. Daniel casou com a secretária. Rosana guardou o vestido como testemunha de sua juventude. Nesse momento observando o vestido azul tamanho 40, percebeu que sua roupa nova era 48. 
– Não posso usar esse vestido e não posso continuar vivendo no passado – murmurou.
Decidiu doar o vestido para a filha da diarista. E se sentiu livre - como se houvesse doado toda a sua amargura.

Isabel Furini.

Poema infantil: O Campeão

O CAMPEÃO

Quando corro atrás da bola,
(seja no clube o na escola)
eu me sinto um campeão.

E meu tio alegre fala:
- Quando meu sobrinho faz um gol,
sinto tremer meu coração.


Poema de Isabel Furini

Ilustração de Marco Teixeira


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Poema Expressão Poética de Isabel Furini

EXPRESSÃO POÉTICA

Perto das águas do oceano imenso
escrevo poemas 
em barcos de papel

cada verso carrega
armadura de metáforas
flores de emoções
e o pólen de imagens e palavras
que serpenteiam na alma.

Isabel Furini









segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Século XXI - Poema de Isabel Furini

Aquário de Seattle - Fotografia de Isabel Furini


SÉCULO XXI 

peixes são canibais
o consumismo não dá espaço para os outros
seu fogo é devorador
suas cinzas se transformam em escorpiões amarelos
e atacam a cabeça e o coração
(não existe  lugar para o amor)

é preciso derrubar os outros -  vencer sempre
lutar contra as águas do inconsciente
e mostrar um troféu fabricado
com as cabeças cortadas dos concorrentes

é a luta pela sobrevivência - é a lei dos peixes
o mais forte é um devorador de estrelas
e de ouro e de fama e de aplausos

um mal investimento pode fazer que o trunfo se evapore
como se fosse alquimia
o nome de quem não ficou no topo será apagado
como as pegadas na areia
desaparecem com uma simples ventania

os nomes traçados em pedra ou na janela de um computador
são só nomes
é possível nomear as horas que ficam no passado
nomear os passos apressados
nomear as sombras que assombram
nomear as águas onde se banham as sereias
nomear cada raio de luz da Lua Cheia

sol e lua
luz e trevas
repouso e movimento
água e fogo

e os despojos
de vidas entregues ao caminho de um aparente trunfo
um caminho que triturará os inimigos
e destruirá o próprio coração.

Isabel Furini

Aquário de Seattle - Fotografia de Isabel Furini

domingo, 9 de outubro de 2016

Sistema Solar - Poema infantil de Isabel Furini

Ilustração de Van Zimerman

Partindo do centro
de nosso sistema
vemos nosso o Sol,
que é uma estrela.

O Sol é o centro
de nosso universo,
seguido por Mercúrio
que era um deus travesso.

Mercúrio se encontra
mais perto do Sol,
depois está Vênus,
deusa da beleza e do amor.

Vênus brilha na alvorada
está coberto esse planeta
por uma camada 
de nuvens sulfúricas.

Nossa querida Terra
é o terceiro planeta
a partir do sol.
Azul é sua cor.

Marte, o vermelho,
vem depois da Terra,
segundo os gregos
incentivava a guerra.

Júpiter, orgulhoso,
vem depois de Marte
entre os gregos e romanos,
era o deus do trovão e do raio .

Saturno segue o planeta Júpiter,
Saturno têm os anéis,
ele é muito famoso
e também muito formoso.

Até agora falamos
de Mercúrio e Vênus,
da Terra, o planeta azul
e de Marte, o vermelho.

Júpiter e Saturno 
são seguidos
por Urano e Netuno
(esses são os gigantes gasosos).

Urano, imponente,
é o sétimo planeta
só com telescópio
é visto desde a Terra.

(Os astrônomos
usam telescópios,
e os submarinos
têm periscópios).

Depois, está Netuno,
chamado na Grécia
senhor dos mares
e dos oceanos.

Os planetas até Saturno
você pode enxergar
observando o céu
e os pode estudar.

Antigamente Plutão 
era chamado de planeta,
mas houve uma discussão:
- Plutão não é planeta, não!

Assim quando lembrar
de nosso sistema solar
com oito planetas
deverá nomear

a partir do Sol:
Mercúrio e Vênus,
Terra, Marte e Júpiter,
Saturno, Urano e Netuno 

e você entenderá 
que nosso sistema
tem oito planetas 
que giram e giram.

Alguns com suas luas,
outros com anéis,
todos rodopiam
em torno do Sol.

E no movimento 
de translação,
será que os corpos celestes
emitem algum som?

Existirá uma música 
“a música das esferas”
da qual falavam
Pitágoras e Platão?

Isabel Furini

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sombras - poema de Isabel Furini




SOMBRAS

Histórias gravadas na gigantesca sombra
de um relógio.
Histórias contadas pelo vento retumbam
nos ouvidos.

O cheiro de jasmins
desperta um enigmático trapézio de recordações
- recordações cravejadas com pedras de rubi.

A saudade, indômita,

bate à porta.

Isabel Furini
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