sábado, 31 de dezembro de 2016

Feliz 2017




FELIZ   2017!

O Ano Novo chega
como uma ingênua criança.
Nas suas mãos têm sementes,
têm flores e têm esperanças.

As luzes do Sol e da Lua
iluminam o Novo Ano
e todos esperam que diminuam
a guerra e o ódio desumano.

Isabel Furini

O jovem Inocêncio e o Tarot - poema de Isabel Furini

O JOVEM INOCÊNCIO E O TAROT

- Meu querido Inocêncio
as cartas falam que sim.
Se obedecer o Tarot,
você será feliz, muito feliz.

E o Inocêncio sorriu.
Era um jovem inocente
e tinha um bom coração.
Ele sempre estava contente.

Tirarei mais uma carta e...
seu destino está revelado.
Meu jovem, no próximo ano
você casará com Lanot.

- Lanot? Mas... mas...
- Calma, as cartas estão falando.
Lanot é merecedora de seu amor.
O destino foi revelado:
Eu sou Lanot!

- Ok - disse o rapaz resignado.
E Lanot fala baixinho:
- Para conseguir marido
é preciso dar uma forcinha ao destino.

Isabel Furini

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Eloir Jr. ilustra com arte o calendário 2017 da Paraná Turismo

No Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento (ONU – Organização das Nações Unidas), a Paraná Turismo realiza o anuário 2017 com o título “Lendas: Cultura Turística”, colorido com arte, pesquisa, cultura e bom gosto pelo artista plástico Eloir Jr., o projeto tem o apoio do SEBRAE e Governo do Estado do Paraná.

Este tema evidencia o que há de mais autêntico na sabedoria popular, as nossas lendas, que resgatadas do imaginário dos índios e caboclos, atualmente compõem também a matéria- prima para o turismo paranaense.

“Extasiados diante de tamanha grandiosidade e beleza da terra em que viviam, seus primitivos habitantes atribuíam-lhes intervenção divina, buscando no sobrenatural, por exemplo, o motivo da origem das magníficas Cataratas do Iguaçu, das misteriosas formações de Vila Velha, da selvagem Gruta das Encantadas, ou ainda a existência de espécies para eles sagradas, como da Araucária, da erva-mate e da gralha azul.

Garimpando a natureza e a alma ingênua do povo, o paranista Eloir Jr. transforma as lendas em arte expressando-se de maneira singular fazendo que seus personagens povoem as telas em uma simbiose perfeita entre diferentes culturas formatadas através das matriochkas e babuchkas trazidas pelos eslavos que aqui se radicaram”, relata Marilda Gadotti, supervisora técnica do projeto.
O Artista explica que: “é um resgate da cultura popular, dos costumes e do imaginário dos índios e dos caboclos paranaenses que transporta para as telas, em perfeita harmonia com a sua temática e linguagem pictórica eslava, que resulta em um trabalho alegre e colorido, inspirado no paranismo que lhe é inato”.

Jacó Gimennes, Presidente da Paraná Turismo finaliza: “Um trabalho que muitos nos honra e que engrandece o Turismo do Paraná”.

A iniciativa do projeto foi do departamento de Estudos e Pesquisas da PRTUR; Supervisão Técnica de Marilda Gadotti; Criação e Arte, Julia Yukari; Supervisão Gráfica de Maria Regina Monticelli/ Departamento de Publicidade e Propaganda da Paraná Turismo.


Poeta? (por Isabel Furini)

Poeta?

ser poeta é iluminar os cais, os barcos,
as nuvens e os rios sombrios
ser poeta é fazer caretas
e ficar risonho
ao ver a porta
que conduz ao mundo dos sonhos.

Isabel Furini




quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Viva o Natal! - Poema infantil de Isabel Furini

A festa de Natal
será muito, muito legal!

Terá árvore e luzes de cores.
Terá peru e panetone.

Minha tia me dará de presente
um presépio sensacional.

Minha prima vai cantar
com sua voz angelical.

Papai Noel trará presentes:
um carrinho e um celular.

E todo será alegria
na noite de Natal.

Poema de Isabel Furini

Fotografia de Isabel Furini

O Menino Tímido (Crônica de Isabel Furini)

O pai chama o filho e grita:

– Olhe o chão, nada de me encarar. Hoje você vai apanhar!
– Pai, pai, aconteceu que...

O pai dá um tapa na cara do menino. Zequinha recua. Agora está entre a parede e a mão pesada do pai.

– Você quebrou essa xícara que a sua mãe havia ganhado no casamento. Essa xícara era cara. Não fazem mais xícaras como essas. Recolha os pedaços do chão, seu sapeca.

O menino se agacha para recolher os pedaços da xícara e o pai aproveita para dar alguns chutes no traseiro da criança.

– Isso é para aprender! Seja mais cuidadoso!

No domingo vão a um churrasco. As crianças correm, brincam, fazem artes. Zequinha fica sentado, sabe que se errar, se quebrar alguma coisa, se tiver a má sorte de pisar uma planta, receberá tapas e chutes. Seu pai se aproxima.

– O que foi com você, seu burro?
– Ele é tímido – diz a tia Rosa.
– Pois eu vou tirar a timidez dele, vou dar tantos tapas que não vai ficar nada de timidez nessa cara! Tímido e burro!

Encara o filho e grita:
– Não sabe brincar com as outras crianças, seu burro?
*

Gostaria de dizer que é uma história inventada, que foi criação de minha imaginação, mas não, gente - lamentavelmente, essa história é real.

Se os pais não permitem que a criança esclareça, fale e se defenda, como ela vai aprender a se defender na vida? Como aprenderá a argumentar?

E o mais importante, a palavra timidez deriva do latim e quer dizer: aquele que tem medo, receoso.
O Zequinha tem medo. O pior é que a família do Zequinha está acostumada a ver o pai bater no menino. Ninguém reage. Transformam-se em coniventes.

Isso é problema que pai e filho devem resolver, fala uma mulher com muita autoridade, como quem fala com sabedoria. Mas, como uma criança pode "resolver" problemas com um pai violento. Os adultos fecham os olhos, enquanto o menino apanha. E vamos lembrar-nos de algo importante: timidez não se cura com bordoada.

Os pais "corajosos", esses que batem nos filhos pequenos, geralmente são covardes diante de outras pessoas, diante da sociedade. É preciso denunciá-los. Vamos proteger quem realmente merece e necessita de proteção: a criança!!!

Isabel Furini
Escultura de Crista Ames -Galeria de Kirkland.
Fotografia de Isabel Furinin

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

PRECONCEITOS

Fotografia de Neni Glock.

Estamos na época em que as pessoas estão tomando consciência de que preconceitos ofendem os outros e não tem fundamentos. Muito destrutivo é o preconceito racial. Essa postura absurda de medir as pessoas pela cor da pele.

Outro preconceito é que ser gay é pecado ou doença. A escolha sexual como a escolha política, religiosa ou profissional é um direito. As paradas gays, filmes e novelas ajudam a que as pessoas diminuam o preconceito.

Existem outros preconceitos menos visíveis, por exemplo, o preconceito contra ateus, o apresentador Datena exteriorizou em um programa de TV, há alguna anos, o seu preconceito dizendo que “ateus são pessoas sem limites, por isso matam, cometem essas atrocidades.” Mas, temos exemplos de pessoas que frequentam igrejas e cometem crimes, como por exemplo, Elize Matsunaga, que matou e esquartejou o seu marido, o dono da Yoko. Muitos fanáticos religiosos também matam em nome de Deus. Ninguém é assassino só por ser ateu, como ninguém é santo só por frequentar uma igreja.

Outro preconceito presente na sociedade contemporânea é contra pessoas obesas. Obesidade é vista como sinônimo de vida não saudável . Uma vizinha que é professora e foi chamada pela diretora da escola para falar sobre “o excesso de peso, pois não é saudável”. A professora perguntou-lhe: “Será que os magros não morrem? Só morremos os gordos?”

O importante é entender que os preconceitos discriminam pessoas, ofendem, ferem e prejudicam. Gays e héteros, gordos e magros, lindos e feios, ateus e religiosos, somos todos humanos. Simplesmente humanos.

Isabel Furini é escritora e orienta oficinas de criação literária.



CARÊNCIA EMOCIONAL - Arma de dois gumes?


Quando qualquer discussão começa a tomar caminhos inesperados, não é raro alguma das partes dar o grito de guerra: “Você tem carência emocional”. É a frase pronunciada para demolir o adversário. Daí para frente ele perde terreno, às vezes perde o chão completo, enquanto que a pessoa que usa a frase pode se sentar sobre uma montanha de conforto. A luta já está ganha.

Não importa o que o outro fale, os argumentos dele são nulos. Quem pode dar ouvidos a alguém que fala porque tem carência emocional? A tática é utilizada não só para desqualificar argumentos, mas para desqualificar o argumentador. Uma forma cruel de vencer a luta. Mas é muito interessante porque essa frase de carência emocional no fundo atinge não digamos a todos, mas a maioria das pessoas.
Quem não tem uma carência emocional lá, no fundo, bem guardada? Quem é tão amado quanto quer? Quem é tão popular quanto sonha? Quem conseguiu, realmente, realizar todos os seus sonhos? Tem um amante? Fez cirurgia plástica? Come demais? Está gordo? Sente-se velho? Tudo isso pode fazer parte da carência emocional. Quer ser famoso? Quer ser o melhor? Quer aplausos? A origem pode ser a mesma. Quer viver uma grande paixão, ser o dono da rua, ser admirado? Carência emocional também.

Reveste-se de milhares de formas. Da necessidade de sentir-se bonito ao desejo de triunfar profissionalmente, do sonho de ter um filho ao sonho de ser famoso em Hollywood. No fundo, o ser humano tem carência, porque o mundo é caleidoscópico, cheio de formas, cores, conteúdos e sonhos irrealizáveis.

Por isso, na próxima vez que em uma discussão alguém triunfante diga que você age desse jeito porque tem carência emocional, responda que ele deveria tirar a máscara de perfeição e olhar para dentro. E tenha certeza, se ele olhar descobrirá em alguma parte da sua mente a “carência emocional”. Afinal até Platão disse que o Amor, o incrível Amor, é filho do Recurso e da Carência. É só ficar sozinho, olhar-se no espelho da verdade e a carência emocional estará lá... gritando muito perto dos ouvidos.

Isabel Furini é escritora e poeta.

Apego Além da Vida - por Isabel Furini

A velha mansão tem alma
e alimenta um fantasma
é o fantasma de Adelinda
ela morre de nostalgia
nostalgia de outros tempos
de festas e de alegrias

morreu em plena juventude
e sua alma está muito triste
sem pausa dorme Adelinda
com um vestido de seda
em um caixão de aroeira
esperando o seu príncipe
mas o príncipe não chega

no horário do ocaso
o vento agita as janelas
e a moradora já morta
(prisioneira do passado)
está imobilizada
sente-se acorrentada
pelos próprios pensamentos
e pelas cinzas do tempo

chora e chora - caem lágrimas
chora espinhos e cardos
porque  Adelinda não acorda
no mundo astral e está escrito
no pergaminho de um hierofante
que viveu no Antigo Egito
 "mortos precisam acordar
no poderoso mundo astral
para escolher outro caminho"

essa mansão e a finada
são prisioneiras do destino
Adelinda  odeia
seu príncipe encantado
ela está sempre deitada
com sua alma prisioneira
em um caixão de aroeira

mas um dia duas crianças
entram pela janela
e Adelinda acorda
de seu sonho de madeira
a luz do Sol entra
pela janela já aberta
Adelina sorridente
percebe  que não precisa
ficar amarrada às lembranças

eleva-se Adelinda
e o casarão se ilumina
eleva-se Adelina
com os raios do Sol
e os Anjos contentes cantam
uma canção de perdão.

Isabel Furini
Quadro "Vivência Musical" de Dirce Polli

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Álbum Fotográfico


Trituradas as guelras do silêncio
sobre o velho álbum fotográfico.
O pai (morto há anos)
sobrevive nos retratos desbotados.

Revelam-se fisionomia e emoções.
Quantos olhares, quantos rostos
deixei submersos nos interstícios da memória,
quantos exílios na areia do passado
e exílios futuros projetados
no palco dos sonhos.

Genealogias, uivos e fumaça
despencam do álbum fotográfico
aberto sobre a mesa.

Observam-nos os mortos,
pousam nas fotografias como estacas de mutismo.
Amam-nos.
Esperam-nos (sedentos de carinho)
com os braços paralelos abertos
entre galáxias de culpa e de mistério.
Esperam-nos com os carinhosos braços
imensamente abertos.

Isabel Furini

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Lançamento de Cuca e Racha do artista Sampaio

A Gibiteca de Curitiba promove no dia 22 de Dezembro, quinta-feira, às 19h, o lançamento do livro em quadrinhos “Cuca e Racha – Subindo pelas paredes”,
do cartunista e artista gráfico Sampaio.

A apresentação do livro é do consagrado Ziraldo, que diz: “Que sujeitim danado!” Como diria o Henfil.

Pode haver título mais preciso e mais adequado (criatividade é alcançar estes dois adjetivos) num livro em que os personagens são duas baratas? 
Sampaio, como certamente diria o Barão de Itararé, seu livro é um barato!

Na contra capa do livro, os comentários são de Fernando Gonsales:

Cuca e Racha uma dupla que escracha. Apesar de eu mesmo ter um personagem que é uma barata, não entendo bem como um autor pode escolher um animal tão repulsivo como protagonista. Aliás, nem mesmo como coadjuvante as baratas deveriam servir".

No entanto Sampaio escolheu logo dua: Cuca e Racha. Acho que os quadrinhos já estão um pouco saturados dos mamíferos peludos, mesmo. E se no fim do mundo só restarem as baratas, talvez este livro seja uma prévia dos novos tempos baratinescos.

Com um desenho limpo e ligeiro, a vida cotidiana desses seres rasteiros vai se desenrolando bem-humoradamente sob nossos olhos. E, ao fim da leitura, a coisa que você menos vai sentir por Cuca e Racha é repulsa. Essa é a mágica de Sampaio.

Sobre o cartunista 
É natural de Curitiba. Desde cedo percebeu que tinha em seu traço o cômico, dono de certa ironia e humor; - assim seguiu em sua missão de levar bom humor e arte à sua enorme clã de admiradores. Bacharel em gravura pela EMBAP. Atualmente dedica-se à ilustração, de quando em quando, executa pintura ao vivo pra descolar uns trocos. Participou de inúmeras exposições de quadrinhos e pintura, em especial: “Tua Batata tá assando” no espaço de arte Aldeia do
Beto, e uma individual de pintura na Zilda Fraletti Galeria de Arte.

Sobre a obra
A obra em formato de livro 28 X 23 cm com 64 páginas é ricamente ilustrada com essa dupla de personagens Cuca e Racha. O projeto desenvolvido pela Cultural Office, e só foi possível por meio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – FCC e da Prefeitura Municipal de Curitiba. Com os apoios do Banco do Brasil, Celepar e Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura Municipal de Curitiba.

Serviço:
Lançamento do livro “Cuca e Racha – Subindo pelas paredes” de Sampaio
Local: Gibiteca de Curitiba - Solar do Barão
Endereço: Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533 - Centro - Curitiba.
Data e horário: 22 de Dezembro, quinta-feira, às 19h
Entrada Franca.

Informações enviadas pela jornalista Alice Varajão.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Diversidade- Poema de Isabel Furini



DIVERSIDADE

Poesia - tempestade de palavras
nada é o que parece
tudo é símbolo e é nada

ronda a morte em cada verso
escrito com beijos e estiletes
o mesmo verso reflete
flores na alma e na pele

diferentes pupilas
extraem diversos meles.

Isabel Furini

domingo, 11 de dezembro de 2016

Tarde de Domingo (poema infantil de Isabel Furini)



TARDE DE DOMINGO

Hoje é domingo
e eu vou brincar de amarelinha
com minhas amigas.

Depois irei à casa
da minha tia Marieta
na minha linda bicicleta.

Cheguei
na casa de minha tia
ela me oferece
um suco de morango
e eu sujo a camiseta.

Isabel Furini

sábado, 10 de dezembro de 2016

Gesto Gentil - Poema de Isabel Furini



GENTIL GESTO

No mundo globalizado
vivemos famintos de palavras e de amizades.
Traços sombrios percorrem as cidades.
Estranhos rostos subentendidos
nas sombras das árvores das calçadas.
O medo agita os corações.
De repente, surge um gesto amistoso
e é reorganizado o ritmo das emoções.

(Poema de Isabel Furini)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Poema Símbolos



SÍMBOLOS

As asas transparentes
da alma
sonham com voar
para mundos
sem fronteiras
e colher as flores
da felicidade eterna.

Isabel Furini

Poder da Luz - Poema de Isabel Furini



O PODER DA LUZ

O passado entra pelas frestas
e invade o presente.
Um hálito infinito
derruba as sombras
e balança as janelas.
A Luz vence!

Isabel Furini

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Cativos - Poema de Isabel Furini


                   CATIVOS

Cativos do tempo,
da solidão,
dos relógios de sol,
de areia,
de água.
Prisioneiros do tempo, 
do espaço
e do pequeno planeta 
que gira em torno do Sol,

em busca de seu destino.

Isabel Furini

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016






FLORES AO VENTO


agitadas pelo vento
seguem com as suas pétalas
a dança do universo

pausa o vento – pausa a dança
novo vento
e acontece o recomeço

observo e penso:
o vento imita a vida
ou a vida imita o vento?

Isabel Furini
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